wanna be star? wanna be in movies?

Às vezes, eu gosto de viajar nas minhas filosofias e pensamentos derivativos. Mas sempre procuro contextualizá-lo dentro de algum exemplo, traçando assim uma relação. Comecei ter essa consciência através da minha professora de semiótica na faculdade. Ela dizia que todos nós éramos muito burros ainda. Isso sempre me revoltou, mas não contra ela, pessoalmente, por ter dito aquilo em relação a mim. Mas porque, além de ser verdade, vejo isso como um desafio e como atrasados nós ainda somos. Não há explicação lógica para “eu sei a matéria, mas, na hora de por no papel, eu não sei”, e, claro, eu tenho essa dificuldade às vezes e me odeio por isso. Enfim, a partir dela, tento sempre melhorando as minhas relações e as minhas redações, por assim dizer. Não que eu as tenha empregando freqüentemente, mas sempre me lembro disso quando começo a escrever sobre o quer que seja.

Lembro-me que essa mesma professora “deu” a prova semestral final algumas semanas antes da data que a faculdade impõe. Você fazia em casa uma única pergunta e entregaria na data estipulada pela faculdade. Na verdade, eu não me lembro exatamente o que eu escrevi, mas coloquei a imagem de uma criança com muitas medalhas e dissertei sobre a minha vontade de me esforçar e querer ganhar os louros da vitória no que eu fizer. Só sei que ela acabou comigo nos comentários à caneta vermelha na prova questionando quem sou eu (que nada demonstrei para tal) para dizer que terei sucesso e ter essa certeza. Confesso que só fui entender um pouco tudo que ela dizia no 4º ano da faculdade, e a prova ocorrera no final do primeiro. E confesso que nem sei se eu entendo as verdadeiras intenções dela. O que posso falar dela é o seguinte: acho que ela não fala nem o certo nem o errado, ela nos deixa confuso propositalmente para encararmos o que a maioria sempre tenta escapar. “O que é isso?”, você pergunta. Mas eu não direi. Estará mascarado no texto abaixo.

Be careful what you wish for 'cause you just might get it

Be careful what you wish for 'cause you just might get it

Reconheceram o título do post? É um verso que faz parte da música “When I Grow Up” do grupo The Pussycat Dolls (Doll Domination, Universal Music, 2008). Eu, particularmente, não gosto do grupo (chamo de grupo, porque não é uma banda, é Britney Spears vezes cinco, ou seja, as músicas não são escritas por elas, não são produzidas por elas, não são tocadas por elas, elas simplesmente dançam, e muito bem por sinal). Mas algo me chama atenção em When I Grow Up, uma das poucas músicas que dá para se ouvir do segundo álbum.

Eu gosto de compositores que conseguem ser POPs acabando com o POP. É algo incrível, são Olivieros Toscanis em um mundo com mais lavagem cerebral que a publicidade: a música. Os donos dessa música em pauta são muitos: Rodney Jerkins, Theron & Timothy Thomas, Jim McCarty, Paul Samwell-Smith, Rock City. Depois de ver que alguém que se intitula “Rock City”, e Rodney Jerkins que já produziu Spice Girls, Beyonce/Destiny’s Child, Mariah Carey e Missy Elliott (embora tem um trabalho interessante com Whitney Houston, Brandy, Toni Braxton, Michael Jackson), e mais outros quatro compositores, vi minha teoria cair por água abaixo durante essa minha pesquisa sobre a autoria da música. Provavelmente não foi uma música pensada para criticar gravemente o POP e o comportamento atual, mas eles devem ter feito sem querer mesmo (prefiro pensar dessa forma, ou melhor, prefiro pensar que eles fizeram propositalmente).

A letra fala a todo tempo do glamour e dos desejos de querer ser rico, estar nas revistas, na televisão, ser o centro das atenções e blá, blá, blá. Até aí, uma pífia letra normal de hip hop. Mas ela acaba com tudo isso em apenas um verso (era o que eu mais gostava naquela minha professora: ela acabava com um conceito em apenas uma frase): “but be careful what you wish for ‘cause you just might get it” (mas tenha cuidado com o que deseja porque talvez você consiga). E o melhor é que elas repetem o just might get it muitas vezes.

Eu tenho toda uma releitura sobre isso agora que antigamente eu não tinha e irei lhes explicar em outro post. Porque esse já está grandinho e hoje é sábado. Eu acabei de voltar de nove horas (tá, tudo bem, não mentirei: foram oito) de aula de pós graduação sobre economia global e brasileira.

Enquanto isso, o Yeah Yeah Yeahs lança seu novo single (Head Will Roll) que conflita bastante com o comportamento geral atual. Conceitos a mil na letra.

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